segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Parece triste

Olhar pela janela em um dia de chuva
parece triste.
Parece com seus olhos
Distantes do meu olhar.
Parece um acorde que falta em uma canção...

Olhar para um dia que rompe o escuro
parece triste.
Parece com suas palavras
Que vagueiam no silêncio.
Parece uma dança sem par em um imenso salão...

Olhar para os rostos solitários na rua
parece triste.
Parece com sua voz
Cantando estrelas em madrugadas frias.
Parece um segredo que todos deveriam saber...

Olhar para as horas que passam
parece triste.
Parece com seu adeus
Deixando rastros pelas calçadas por onde piso.
Parece um instante que se perde em uma tarde de primavera...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quinze minutos

Tenho quinze minutos para escrever tudo que preciso.
Utilizar o tempo, escrevendo tudo aquilo que tento durante todos os dias
Assim, sem fazer rascunho.
Mas minhas canetas se perderam
E meus cadernos... consumidos pelo fogo.
Não tenho mais as mesmas rimas,
Nem as mesmas dores...
É difícil escrever sem a dor que tanto conhecemos!
Como é difícil escrever sobre uma nova dor em apenas quinze minutos...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Your decision... in chains...

Lembrei de tudo
Senti tudo uma vez mais, como sempre foi
Há um tempo atrás...
Vossa decisão me fez lembrar
De uma tatuagem
De tantas canções
E de amizade...
E sim, saudades...
Tentei negar
As novas canções
Talvez por não querer me sentir assim
Mas essa decisão também se tornou minha
E as lágrimas não puderam mais esperar...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Silêncio

Não são tantas coisas assim que quero falar
Quero falar pouco, quero falar apenas das coisas mais simples
Como do medo de infância (que ainda sinto) de dormir de barriga pra cima, com os braços cruzados no peito
Falar do senhor dos olhos tristes que cuida de carros em troca de moedas e que adora batatas
Da cigana que quer me dar uma panela em troca da minha saia
Dos minutos que teimam em passar quando estou trabalhando e que voam quando estou sorrindo
Do cheiro que sinto em certas manhãs de inverno
De certos acordes que fiz enquanto tu dormias
Falar que não durmo bem há noites
E que teu sorriso me conforta muitas vezes
Não quero mais falar sobre coisas que já tenham sido ditas
E que estamos cansados de saber
Quero falar das coisas...
... apenas coisas que não sabemos ouvir.

sábado, 25 de julho de 2009

Longe

Nada se move,
Nesta noite de ar parado.
Deslizando um sôfrego suspiro
Suspenso na eternidade de uma chama,
Vela incandescente.
Ruídos atravessam os cantos das paredes,
Figuras distantes permanecem em uma lembrança
Marcada para não ter fim,
Enquanto não muito longe
Uma nova mentira dá vida a quem quer viver...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vai...

Vai, vai embora tempestade
Nuvens e névoas
Céus e trevas
Cores, calor...
Vai, vai embora
Sereno, luar
Canções, poemas
Mãos dadas no jantar
Vai, vai embora
Espelhos e mágicos
Divinos e trágicos
Frio, sensação, dor
Vai, vai embora
Bocas e espumas
Areias, dunas, mar
Vai, vai embora
Sono e véu
Caneta, papel, tons
Vai, vai embora
Momentos, monumentos
Passos, calçadas, vãos
Vai...
Palavras, frases
Gestos, vozes, faces
Embora...
Vem e volta
Torna, cai, solta
Vento, abriga a...tempestade

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Saudades...

... não estou mais sentada, naquele dia nublado, com lágrimas de uma certeza de não mais o ver. Já faz tanto tempo, não tenho mais aquela idade e não sinto mais aquela dor de saber que não mais o ouviria. Ainda estou aqui e estar aqui me faz cada vez mais sentir saudades...